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O conto de hoje à noiteVelhas chamas1 min

Morrison

Ela o viu primeiro, o que sempre tinha querido.

Ele estava numa mesa de canto, casaco dobrado sobre o encosto da cadeira, olhando para o celular com a imobilidade de quem espera. Oito anos. Ela ficou na calçada e os contou sem querer. Por oito invernos ela tinha cruzado certas ruas sem pensar nele, e depois pensava nele mesmo assim.

Ela empurrou a porta.

Ele levantou o olhar antes dela chegar, do jeito que sempre fazia — uma consciência periférica dela que tinha sobrevivido a tudo mais entre eles. Ela viu seu rosto fazer aquela coisa que fazia. O pequeno reajuste.

"Você está em Portland," ele disse.

"Estou em Portland," ela disse.

Ela se sentou sem ser pedida, porque estavam além de pedir. O garçom veio e ela pediu algo, vinho ela achava, embora depois não tivesse certeza. Ele a observava como costumava: como se ela fosse uma sentença que ele tinha lido pela metade e agora encontrava a página de novo.

"Ouvi dizer que você voltou," ele disse. "Há seis meses," ela disse. Ele assentiu, girou o copo nas mãos. "Tenho me perguntado quando." "Quando o quê?" Ele olhou para ela. Ela sabia quando o quê.

O restaurante sussurrava ao redor deles, indiferente. Lá fora, os postes de rua acendiam daquele jeito lento que fazem no final de junho, o céu se entregando à escuridão sem pressa. Ela pensou no apartamento que tinham em Morrison. O rangido particular do terceiro degrau. A maneira como ela media a qualidade de uma noite por ele estar lá quando acordava.

Ele sempre tinha estado lá.

A mão dele repousava sobre a mesa entre eles. Não alcançando — apenas presente. Uma pergunta feita do jeito que ele sempre fazia suas perguntas: de lado, negável, dela responder ou não.

Ela colocou a mão ao lado da dele. Sem tocar. Ainda não. A distância entre eles mal era um suspiro retido.

"Estou aqui até domingo," ela disse.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores