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O conto de hoje à noiteVelhas chamas1 min

Dois Quarteirões

Ela não tinha pretendido que ficasse tão tarde. Ele também não.

O restaurante tinha estado se fechando ao seu redor — cadeiras sendo colocadas sobre as mesas, um garçom esperando com a paciência praticada de quem já viu tudo — e ambos tinham notado, e nenhum dos dois era corajoso o bastante para ser o primeiro a dizer. Era sempre assim entre eles: duas pessoas que perdiam tempo juntas do jeito que outras perdem chaves, silenciosamente e sem perceber até ser bem tarde demais.

Lá fora chovia. "Posso te levar," ele disse.

Ela sabia o que ele quis dizer e o que deixou por dizer. Ela entrou no carro.

A cidade passava pelas janelas em listras, laranja sódio e branco. Ela observava as luzes em vez dele, que era como sempre tinha conseguido lidar com o pior — mantendo-o periférico, plausivelmente negável, no limite extremo do que se permitia querer.

"Você está quieta," ele disse.

"Estou pensando."

"Em quê?"

Ela se virou então para olhá-lo. Ele estava observando a estrada, mãos soltas no volante, tão desapressado quanto sempre tinha sido — paciente daquele jeito particular que uma vez a tinha deixado à beira da loucura. Essa paciência era o que mais tinha sentido falta depois, embora tivesse passado muito tempo sem sequer admitir para si mesma.

"Se fiz disso algo que não é," ela disse.

Ele não respondeu de imediato. Os limpadores marcavam o tempo. "Fez?"

Ela olhou de volta para a chuva no vidro. "Não," ela disse. "Não acho que fiz."

Ele sinalizou e virou para sua rua. Ela morava dois quarteirões dali, em outra direção. Nenhum deles disse nada sobre isso.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores