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O conto de hoje à noiteVelhas chamas1 min

Código de Área

Ela não havia deletado o número dele. Apenas renomeado — algo neutro, algo esquecível — como se o telefone não fosse saber.

Onze e quinze. A hora dele, sempre. Ela atendeu antes de ter decidido.

"Oi." Só isso. Mas a voz dele era a mesma de um jeito que sua memória havia deturpado — mais profunda, de alguma forma, do que ela havia estado carregando todo esse tempo.

Ela disse o nome dele da maneira como se diz uma coisa que você pensou ter deixado para trás de vez.

A pausa que se seguiu tinha a forma de três anos.

"Estou na cidade," ele disse. "Por nada em particular. Só — estou aqui."

Ela ficou em pé à janela da cozinha, olhando para a rua abaixo. O âmbar específico das luzes da rua. A maneira como uma cidade absorve seu próprio ruído depois da meia-noite.

"Quanto tempo?" ela perguntou. "Saio amanhã à tarde," ele disse.

Ela deveria ter dito algo prático. Algo que os teria deixado livres de uma vez. Em vez disso, ouviu a si mesma dizer, "Estou acordada."

O táxi levou onze minutos. Ela contou.

Quando ela abriu a porta, ele parecia o mesmo e completamente diferente — da maneira como o tempo faz isso, reorganizando o que você amava sem removê-lo. Ela ainda estava segurando a maçaneta.

"Você está bem," ele disse. Não era o que ela esperava. Ela não tinha certeza do que esperava — um pedido de desculpas, talvez, ou uma explicação — algo que teria tornado isso mais fácil de resistir. "Você também," ela disse. E então a porta se abriu mais, da maneira como sempre tinha que ser.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores