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O conto de hoje à noiteVelhas chamas1 min

A Entrada

A single porch light glowing above a wreathed doorway, the rest of the house dark against the night.
Eighteen years, and the porch light never went out.

As luzes traseiras sumiram na curva no fim da rua, e depois não sobrou nada — só a luz da varanda, um irrigador duas casas adiante, e dezoito anos de uma entrada que nunca tinha ficado tão silenciosa.

Mara não se mexeu. Tom também não. Os dois haviam ficado parados bem naquele lugar em cada despedida que importava — o ônibus escolar, a noite do baile, o caminhão de mudança em junho — só que dessa vez ninguém ia voltar por causa de uma mochila esquecida.

— Pronto — disse ele, como se a frase precisasse ser testada antes que ele pudesse confiar nela.

— Pronto — repetiu ela, e saiu diferente na boca dela do que na dele — não exatamente um fim. Mais parecido com uma pergunta que ela ainda não tinha se decidido a fazer.

A casa atrás deles mantinha sua luz de sempre, cada janela acesa para um filho que agora corria pela rodovia a quase cento e dez, uma mochila de viagem no banco do passageiro. Ninguém precisaria do carro naquela noite. Ninguém precisaria ser buscado.

Ele pousou a mão na base das costas dela, e isso a surpreendeu — não o toque em si, já haviam se tocado mil vezes sem pensar, mas o fato de que já não vinha com uma lista de tarefas atrelada. Nenhum lanche para preparar depois. Nenhuma autorização para assinar.

Ela se virou primeiro. Ele percebeu o movimento e se virou junto, os dois girando na entrada como algo coreografado décadas atrás e nunca mais ensaiado desde então.

— Não sei o que a gente faz agora — disse ela, e era mesmo uma pergunta, pela primeira vez em muito tempo.

— Tenho algumas ideias — disse ele, e estendeu a mão para a porta — não exatamente a porta da frente, mas a promessa dela: a casa aberta, iluminada e, pela primeira vez, inteiramente deles.

Atrás deles o irrigador continuava girando, lançando seus pequenos arcos sobre um gramado que já não precisava ser mantido impecável para a inspeção de ninguém. Lá dentro, a luz do corredor estava acesa. Nenhum dos dois teve pressa de chegar até ela.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores