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O conto de hoje à noiteA manhã seguinte1 min

A Outra

Ela ainda dormia quando ele encontrou o brinco no criado — uma pequena argolinha de ouro, não maior que a ponta do seu polegar.

Virou-a uma vez e a devolveu ao lugar. Como se devolvê-la não reclamasse nada.

Da cozinha escutava os sons dela acordando: o colapso macio do colchão, pés descalços na madeira, a pausa à porta do banheiro. Havia aprendido seu ritmo em uma noite, o que parecia simultaneamente demais e absolutamente insuficiente.

Saiu usando sua camiseta. Não havia perguntado. Ele não havia oferecido. Tinha simplesmente se tornado dela no escuro, e agora era manhã e ela a vestia.

"Há pão," ele disse. "Se quiser."

"Eu provavelmente deveria —" Parou. Deixou a frase pairando.

Ele não a completou.

Sentou-se no balcão, e ele cortou o pão porque era algo para fazer com as mãos. Lá fora a cidade já estava barulhenta consigo mesma, indiferente, o que ajudava.

Comeu em pé. Ele ficou também de pé, do outro lado, e conversaram sobre nada — o prédio, a rua, algo que ela meio-lembrava da noite anterior que a fez rir baixo e privado, um som que ele queria guardar.

Quando voltou pelo brinco, ele a observou colocá-lo. Um lado, depois o outro. O queixo levantado, o pequeno movimento deliberado do fecho.

Pegou a jaqueta.

"Obrigada pelo café da manhã," disse. Era apenas torrada. Ele não a corrigiu.

A porta fechou suavemente. Ficou ali onde estava por um momento, então olhou para o criado.

O outro brinco ainda estava lá. Ele não havia sabido. Deveria ter verificado.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores