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O catálogoVelhas chamas1 min

Terças

A woman in a black evening dress cut open down her bare back turning toward a man in a dark overcoat on a high terrace at night, his hand at the back of her neck and her hand at his collar, their breath visible in the cold, two gin glasses on the stone rail and city lights far below.
Gin, without asking, because he still knew.

Ela estava na varanda quando ele a encontrou, o que significava que ela tinha se escondido, o que significava que ela sabia que ele viria.

Ele não disse seu nome. Colocou um drinque ao lado do dela no parapeito — gim, sem perguntar, porque ele ainda sabia — e ficou perto o suficiente para que o calor dele cortasse o ar de dezembro.

Quatro anos.

"Quem quer que nos tenha convidado a ambos," ele disse, "é muito gentil ou muito cruel."

"Uma coisa ou outra," ela disse.

Ela não olhou para ele. Olhou para a rua abaixo, para um casal discutindo suavemente fora de um táxi, para a noite de dezembro ordinária que nada tinha a ver com tudo aquilo. O ombro dele estava a poucos centímetros do dela. Talvez menos. Ela podia sentir a densidade particular dele, a gravidade específica que jamais havia atribuído a mais ninguém.

"Você parece—" ele começou.

"Não," ela disse. Não cruel. Apenas honesta.

Balançou a cabeça. Pegou seu copo. Não se moveu.

O casal abaixo tinha parado de discutir. A mulher estava rindo agora, encostando-se contra o peito do homem, e algo na facilidade disso apertou sua garganta.

"Penso em você nas terças," ele disse. "Não sei por que terças."

Ela sabia. Terças tinham sido delas — as manhãs lentas, as tardes tardias, o particular nada que fizeram virar algo. Ela nunca havia explicado isso para ninguém. Nunca precisava.

Ela se virou para olhá-lo. Esse foi o erro e ela o cometeu mesmo assim.

Ele estendeu a mão e ajustou o colarinho dela contra o frio — um movimento pequeno, considerado, seus dedos apenas roçando a nuca dela — e ela entendeu que essa era a pergunta, e que ela já tinha respondido.