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O conto de hoje à noiteA manhã seguinte1 min

Ainda

Ela percebeu primeiro a luz, depois dele observando-a.

Ele estava deitado de lado, sem fingir, sem estender a mão para seu telefone. Simplesmente ali. O cinzento que entrava pelas cortinas fazia seu rosto parecer paciente de um jeito que ela não havia notado na noite anterior.

Ela não se moveu. Ele também não.

O radiador fez tic em algum lugar abaixo deles. Ela pensou em como descreveria tudo aquilo para si mesma mais tarde — no carro, provavelmente, com o rádio desligado — e percebeu que não tinha as palavras. A forma daquilo era errada para palavras.

"Oi," ela disse finalmente. "Oi." Era tudo, por um tempo.

Ela conseguia ver a janela de onde estava deitada. O céu estava fazendo aquilo que faz nessa hora, a escuridão ficando suave e indecisa nas bordas. Havia uma planta no peitoril que ela não havia notado na noite anterior. Parecia cuidada.

"Você a manteve viva," ela disse. Ele olhou para a planta. "Mais ou menos," ele disse.

Ela se virou para ele. Ela pensou no "mais ou menos". Quanto peso uma expressão como essa poderia carregar.

"Eu deveria—" ela começou. "Sim," ele disse. Mas ela não se moveu, e ele não pediu para que se movesse, e a luz continuou mudando, fazendo o que faz, tornando tudo que tocava brevemente digno de ficar por ali.

Quando ela finalmente se sentou, fez isso lentamente. Encontrou suas coisas sem acender uma lâmpada.

À porta ela fez uma pausa, sua mão no batente, sem se virar. "A planta tem um nome," ele disse, de algum lugar na escuridão. "Não sei por que estou te dizendo isso."

Ela sorriu para a porta. "Eu sei," ela disse. "Eu também não."

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores