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O conto de hoje à noiteA espera1 min

A Porta do Jardim

A música ainda era audível através da porta de vidro — baixa, procedural, daquelas que preenchem um espaço sem que ninguém realmente a ouça. Ela saiu primeiro. Ele a seguiu, porque é claro que seguiu.

Ficaram à beira do terraço, sem se tocar, olhando para nada em particular. O jardim abaixo estava escuro. O céu acima era aquele tom particular de noite urbana que não tem nome.

Ela tinha consciência da distância exata entre seu ombro e o braço dele.

Ele não havia dito nada desde que saíram. Ela percebeu que era grata por isso. Palavras fariam disso algo que exigisse uma decisão. Um minuto passou. Talvez dois.

Ela virou a cabeça ligeiramente — não para olhá-lo, apenas na sua direção, um movimento de um quarto de grau que significava tudo e nada. Ele sentiu. Ela sabia que ele tinha sentido.

"Deveríamos voltar para dentro," ela disse.

"Deveríamos," ele concordou.

Nenhum dos dois se moveu.

A música mudou lá dentro, algo com mais grave, e ela ouviu alguém rir — alto e despreocupado, o som de pessoas que não sabiam que estavam sendo invejadas.

Ela pensou: em um momento um de nós vai se virar. Ela pensou: gostaria que fosse ele. Ela pensou: gostaria muito.

O ar da noite era fresco em sua clavícula. Ele mudou o peso, quase imperceptivelmente, seu braço agora apenas um respiro do dela.

Isto, ela pensou. Isto é. Tudo é isto.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores