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O conto de hoje à noiteVelhas chamas1 min

O Fundo da Piscina

Ela não esperava encontrá-lo na água. Mas tinha parado de esperar qualquer coisa. Esse era o problema em estar bem.

Era aniversário de alguém, uma piscina atrás de uma casa que nunca tinha visitado. Tinha vindo com uma amiga que já estava do outro lado do quintal, inacessível.

Ele estava em pé no raso com um copo na mão, e ela o viu antes dele a ver, e tinha exatamente três segundos para decidir o que fazer com isso.

Ela caminhou para a piscina.

Ele se virou. O copo ficou imóvel em sua mão. Ela tinha esquecido — ou se forçado a esquecer — a qualidade específica da atenção dele, o jeito como chegava de repente, como o tempo.

"Você está aqui," disse ele. Ela disse que estava, e sentou à beira da piscina e deixou os pés cair na água. Ele veio e sentou ao lado dela sem perguntar. O espaço entre eles era exato — a largura de uma decisão ainda não tomada.

A água era mais quente do que ela esperava. Ou talvez fosse só a noite.

"Você está bonita," disse ele. E depois: "Não vou fingir que não digo sério."

"Você sempre disse isso como um pedido de desculpas."

"Estou trabalhando nisso." Ele se moveu — não exatamente em sua direção, mas em direção a algo — e a água ao redor dos seus tornozelos se moveu.

Ela pensou no ano depois dele, e no ano depois daquele. Como tinha estado perfeitamente bem. Como estar bem era seu próprio tipo de vazio.

A festa continuava atrás deles. Nenhum dos dois se virou.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores