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O conto de hoje à noiteVelhas chamas1 min

A Linha

A woman with dark curls in a peach silk camisole with one strap fallen sits on the floor against the side of her bed at night, bare legs drawn up, a phone held against her cheek and her eyes closed, one warm lamp beside her.
The warmth it left there lasted longer than it should have.

Ela tinha uma razão. Tinha se certificado disso — algo prático, algo que poderia explicar para si mesma bem tarde à noite.

O número ainda estava no seu telefone, salvo apenas com o primeiro nome dele, do jeito que você guardaria um dentista. Ela tinha olhado para ele duas vezes antes de discar.

Ele atendeu na segunda chamada. A voz dele tinha um pequeno atraso que ela tinha esquecido — um pequeno hiato entre decidir falar e falar, como se precisasse passar por algo primeiro.

Ela lhe contou por que tinha ligado. Ele escutou sem interromper. Isso ainda era verdade sobre ele: ele ouvia você até o final antes de decidir o que pensava.

"Fácil," ele disse. "Posso fazer isso." Ela o agradeceu. Ele disse claro. E então nenhum dos dois desligou.

Ela contou até três. Ele disse seu nome — apenas seu nome, nada mais — e algo no seu peito se moveu para o lado, um movimento sem nome.

"Eu sei," ela disse, embora ele não tivesse dito nada.

"Tenho me perguntado," ele disse.

Fora de sua janela, um carro passou lentamente o bastante para sua música chegar em pedaços — o baixo, depois uma voz, depois silêncio, depois desapareceu.

"Você quer—"

"Não," ela disse. "Sim. Não sei o que quero."

"Também," ele disse.

Ela segurou o telefone contra sua bochecha por um momento depois que tinham se despedido. O calor que deixou lá durou mais do que deveria.