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O conto de hoje à noiteAo anoitecer1 min

As horas pequenas

O filme tinha terminado em algum momento perto da meia-noite, embora nenhum dos dois soubesse dizer exatamente quando. O que ficou aceso foi a tela do menu, paciente e azul-clara, fazendo a mesma pergunta ao quarto escuro a cada poucos minutos: Ainda está assistindo?

Um único cobertor cobria o colo dos dois. Entre eles, no estofado, ficavam uns quinze centímetros medidos de sofá que nenhum dos dois tinha mencionado e que os dois mantinham — o tipo de distância que a pessoa guarda de propósito, do mesmo jeito que se prende a respiração antes de dizer algo que já se decidiu dizer.

O controle estava na mesinha de centro, exatamente onde ele o tinha deixado depois do último episódio, perto o bastante para qualquer um dos dois pegar sem esticar todo o braço. Nenhum pegou. Pegá-lo teria significado responder à tela com sinceridade, e ela não estava pronta para deixar um menu decidir para que servia o resto da noite.

— Ainda está assistindo? — perguntou ele, apontando o queixo para o brilho, e ela ouviu a segunda pergunta viajando dentro da primeira antes mesmo de ele terminar de fazê-la.

— Depende do que tiver — disse ela, sem olhar para a televisão enquanto dizia.

O menu escureceu sozinho, depois voltou mais claro, contando regressivamente para uma reprodução automática que nenhum dos dois estaria ali para ver.

Foi a mão dele que se moveu. Não em direção ao controle — atravessando o espaço, palma para cima no estofado do meio, uma oferta feita nos termos mais simples possíveis e disfarçada de não ser nada.

Ela a deixou ali por mais uma contagem regressiva antes de cobri-la com a própria. Os dedos dele se fecharam ao redor dos dela e terminaram o que os quinze centímetros de sofá tinham mantido aberto.

A televisão fez a pergunta de novo, cumpridora, para um quarto que tinha parado de escutar. Outro relógio corria agora, e era o único ao qual os dois pretendiam responder.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores