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O conto de hoje à noiteVelhas chamas1 min

O Conserto

Ela ligou porque a janela estava emperrada e porque às onze de uma quarta-feira ela não conseguia pensar em quem mais querer.

Ele chegou com uma pequena bolsa de ferramentas que ela não sabia que ele possuía. Ela tinha preparado chá antes dele tocar a campainha — duas xícaras, sem pensar, e então ficou na cozinha olhando para ambas.

Ele foi direto para a janela sem perguntar qual era.

Ela ficou na porta. Ele havia deixado sua jaqueta sobre sua cadeira — aquela que ela tinha antes dele, aquela que havia mantido — e estava trabalhando no batente pintado com uma faca plana. Ela havia esquecido da largura de suas mãos. Ela não havia esquecido. Simplesmente deixou de levar.

'Emperrada com tinta,' ele disse.

'Provavelmente fui eu.'

Ele fez um som que não era bem uma risada.

A cidade estava molhada lá fora, toda amarela e névoa. Ela o observava não a observando — o cuidado que ele tinha com suas coisas, o ângulo particular do seu cotovelo.

'Faz um tempo,' ela disse. 'Dois anos em março,' ele disse. Ela não sabia que ele estava contando. Ou sabia, porque ela também estava contando.

A janela cedeu com um estalo baixo, e ar frio se moveu pelo apartamento e levantou algo que ela não conseguia nomear.

Ele se virou. Ele tinha um fragmento de tinta no cabelo, e isso a atingiu como insuportável de um jeito para o qual ela não estava preparada.

'Vou vedá-la,' ele disse. 'Para não emperrar de novo.'

Ela disse tudo bem. Deveria ter dito outra coisa. Mas o chá estava esfriando e ele estava colocando sua jaqueta, e ela lhe entregou a xícara antes de pensar no que aquilo significava — entregar-lhe a xícara, como se nunca tivesse parado de fazer.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores