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O conto de hoje à noiteA espera1 min

A hora antes

Sheer white curtains moving softly in a cracked-open window, evening light behind them.
The window stayed cracked two inches onto the summer street.

Ela se vestira uma hora antes, de propósito. Esse era todo o plano da noite, se é que podia ser chamado de plano.

O disco já estava pronto, a agulha pairando a meio centímetro do sulco, como algo que prende a respiração. A janela ficava entreaberta para a rua de verão, o suficiente para deixar entrar o irrigador de algum vizinho e, uma vez, um rádio de carro sob um grave que não era o dela.

Ainda não tinha servido nada. Isso também era deliberado. Um copo suando sobre o balcão significaria que estava administrando a espera em vez de tê-la.

Esta era a hora de que ninguém a avisara que ela viria a querer — ainda não ele, apenas a versão de si mesma que só existia ali: sem pressa, sem testemunhas, inteiramente certa de algo que não saberia nomear em voz alta.

Ela flagrou o próprio reflexo no vidro escuro da janela e, por um instante, não reconheceu a mulher tão imóvel, de propósito.

Nove e quarenta, pensou. Ele chegaria cedo, como sempre que fingia não estar ansioso.

A campainha tocou às nove e trinta e oito, e atravessou-a como um fósforo aceso.

Deixou que se apagasse sozinha. Depois ficou mais um instante, a palma da mão apoiada no balcão frio, segurando o que restava de uma noite que ainda pertencia só a ela.

Tocou de novo, paciente dessa vez, do jeito que certas pessoas são pacientes com coisas que já sabem que vão ter.

Ainda não, pensou, e quis dizer isso como ternura, não como demora.

Quando finalmente atravessou a sala, sua mão encontrou o botão antes que sua mente terminasse de concordar, e a hora que construíra de propósito — a boa — terminou numa única nota sustentada meio segundo a mais do que precisava.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores