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O conto de hoje à noiteAo anoitecer1 min

Já Desperta

O quarto estava escuro há duas horas e nenhum dos dois havia dormido.

Ela estava deitada de frente para a parede. Ele estava de frente para suas costas. Os centímetros entre eles eram a distância mais longa que ela já havia conhecido, o que era muito dizer, porque ela já havia conhecido algumas distâncias longas.

Em algum momento um carro passou lá fora e varreu os faróis pelo teto—lento, indiferente. Na breve luz ela viu sua própria mão, aberta na almofada diante do seu rosto. Ela pensou: se ele alcançar essa mão, deixo.

Ele não alcançou sua mão.

Ela o ouviu respirar. Não a respiração longa, oceânica, do sono—algo mais superficial, algo alerta. Ele estava acordado. Ela sabia disso há mais de uma hora, e ele sabia disso sobre ela, e nenhum dos dois havia falado, e isso era sua própria espécie de conversa.

Ela moveu o pé alguns centímetros para trás ao longo do lençol. Apenas o pé. Apenas um calcanhar encontrando o tecido fresco na borda de onde ela havia estado deitada. Um acidente, se ela decidisse que queria que fosse.

Ela esperou.

A mão dele encontrou seu quadril. Sem questão. Sem desculpa. Apenas a mão dele, quente através do algodão fino, se instalando ali como se ele sempre tivesse pretendido colocá-la exatamente ali e tivesse apenas estado decidindo quando.

Ela sentiu sua respiração mudar.

"Oi," ele disse. Sua voz tinha a aspereza de quem ficara acordado por horas no escuro.

Ela não se virou. Ela disse: "Oi."

Era tudo o que qualquer um dos dois precisava. O resto era quieto, próximo, e deles.

O catálogo

Escolha um para levar para a cama.

Cada conto é uma leitura independente de cerca de um minuto. Cada um tem sua própria URL — clique para abrir, copie para compartilhar. O catálogo cresce; nada é apagado.

A publicação

Ficçãoadulta,escritacomoseimportasse.

SparkBang publica um novo conto breve toda noite. Não fazemos vídeo, nem nada em streaming. Fazemos prosa — breve, carregada, do tipo que você sublinharia num livro se o tivesse em papel.

  1. Um conto, toda noite

    Um conto novo chega à meia-noite, horário do Pacífico. O de hoje à noite está no topo da página. O de ontem está no catálogo. O de anteontem, o de antes, todos até o começo — estão lá, exatamente como foram escritos.

    Toda noite
  2. Sugestivo, não explícito

    Escrevemos o segundo antes e o segundo depois. Confiamos a você a parte do meio. Os contos são breves de propósito, sugestivos de propósito, e editados até que cada frase mereça o seu lugar.

    Por ofício
  3. Seu para compartilhar, não para se apropriar

    Cada conto tem uma URL limpa. Mande. Cite com crédito. Leia em voz alta para quem merecer. Não publique como seu — a autoria importa.

    Estante aberta

A postura de leitura

Como ler isso.

Uma publicação breve é um ritual breve. Estas são as sete instruções que nossos editores colaram na parede acima da escrivaninha. Tome emprestado.

  1. Procure uma janela.

    Abra-a se puder. O tipo de ar que entra por uma janela é o tipo de ar para o qual isso foi feito.

  2. Apague a luz do teto.

    Um abajur está ótimo. A luz de uma vela também. Sua tela também, no brilho mínimo.

  3. Deixe o celular virado.

    Sem notificações, sem rolar a tela, sem dar sinal de vida durante o próximo minuto.

  4. Não beba nada ainda.

    Guarde a taça para depois. Primeiro, leia.

  5. Leia em voz alta se estiver sozinho.

    Sussurre se não estiver. Mova os lábios de qualquer forma — estes contos foram escritos para serem ouvidos.

  6. Não leia em diagonal.

    Cada conto é breve de propósito. O ritmo é o que importa. As frases duram exatamente o que precisam durar.

  7. Fique com ele um minuto depois.

    Não recarregue, não compartilhe, não conte para ninguém ainda. Deixe a última frase pousar antes de se mover.

— Os editores