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O conto de hoje à noiteEstranhos1 min

Fogo Brando

A South Asian woman with a long dark braid, in an oversized red-plaid flannel shirt slipped off one bare shoulder, sits on the edge of a wooden table gripping the collar of a grey T-shirt with both hands; the man wearing it, sandy curly hair and stubble, rests his forehead against hers and holds an ivory satin slip against his chest with one hand, round warm lights blurred in the dark behind them.
She let him hold it a second longer.

A lavandaria funcionava só com um tubo fluorescente a zumbir e o ronco de quatro secadoras que ninguém vigiava. A máquina dela parou no meio da centrifugação e morreu com uns bons centímetros de água cinzenta por cima de tudo o que ela tinha de escuro.

O homem da mesa ao lado não ergueu os olhos da camisa que dobrava em três. "A seis acaba em dez minutos", disse ele, mais para a camisa do que para ela. "Põe a tua depois, se a quatro voltou a morrer." A quatro tinha voltado a morrer. Ela ainda não tinha dito nada.

Quando a seis apitou, ele abriu-a e deixou a sua própria roupa a meio secar lá dentro, empurrando as camisas para o fundo e fazendo-lhe um gesto para entrar com a roupa dela. O emaranhado húmido dela caiu por cima do dele, e ele voltou a pôr o tambor a trabalhar. Meia hora depois, apitou outra vez, e os dois ergueram os olhos ao mesmo tempo, como quem olha para um telemóvel que talvez não seja seu.

O tambor tinha feito o que duas trouxas de roupa fazem quando giram juntas: tinha-as tecido uma na outra. Uma manga enfiada por dentro de um cós. A combinação dela, marfim, aquecida até ganhar a cor da pele nua, enrolada duas vezes no punho da camisa dele, como se lhe tivessem pedido para ficar.

Carregaram o nó húmido inteiro até à mesa de dobrar e começaram a desfazê-lo à mão sob a luz fria, sem falar muito, cada peça soltando-se com uma pequena relutância.

"Essa é minha", disse ela, quando ele ergueu a combinação do punho. "Calculei", disse ele, e não a entregou logo — segurou-a um segundo mais do que o necessário para devolvê-la, o tecido morno pendurado entre os dedos dele e a palma aberta dela.

Ela não a recuperou depressa. Ele não a soltou depressa. A distância entre a mão dele e a dela ficou exatamente tão longa quanto precisava de ser, nem um segundo mais, e quando a combinação finalmente a atravessou, os dedos dele roçaram o pulso dela de passagem, mornos da secadora, e já mornos também de outra coisa.

O tubo fluorescente apagou-se no seu temporizador enquanto eles ainda dobravam roupa, deixando só as janelinhas baças das secadoras e a luz da rua através do vidro. O funcionário esperava junto ao vidro com as chaves, e os dois saíram com os cestos passando por ele, para o ar da noite, o trinco deslizando atrás deles com um som que não assustou nenhum dos dois. Dois cestos, uma só direção, para dentro da mesma escuridão.